31.05.2021

Objeto do desejo, Olímpia poderá ser a cereja do bolo da Região Metropolitana

Jornal DHoje, de SJRio Preto – 30/05/2021

Todos os indicadores mostram que Olímpia será a cereja do bolo da Região Metropolitana de São José do Rio Preto. O projeto que cria a nova unidade percorreu todas as Comissões da Assembleia e espera ser pautado para votação a qualquer momento. Até ontem, recebeu 16 emendas.

Duas delas, uma do deputado estadual Itamar Borges, MDB, e a outra do deputado Maurici, PT, propõem a inclusão de Olímpia como o 36º município do novo agrupamento urbano. Outros deputados querem ainda incluir Barretos, Colina e Colômbia.

Além da proximidade, dos laços culturais e da dependência de Olímpia da infraestrutura de Rio Preto, a articulação junto ao governo do estado e o convite do prefeito Edinho Araújo, MDB, ao prefeito de Olímpia, Fernando Cunha, para integrar a Região, carrega motivos estratégicos.

Olímpia ocupou um segmento econômico que Rio Preto persegue há 30 anos e nunca se voltou para estruturá-lo na cidade: o turismo. Além de Rio Preto, que não para de avançar graças a uma estratégia de desenvolvimento do município e uma economia diversificada, limpa e de ponta, atraindo pessoas e investimentos de todo o Noroeste Paulista, Olímpia é a bola da vez.

O turismo em Olímpia é uma locomotiva que não para. Se passar a integrar a Região, será o segundo orçamento, ultrapassando Mirassol, a segunda cidade em habitantes, 60 mil, e arrecadação prevista para 2021 em R$ 185 milhões. Olímpia tem estimados 55 mil habitantes e um orçamento previsto de mais de R$ 235 milhões. A arrecadação entre 2014 e 2021 cresceu 55%. Em apenas 5 anos.

Olímpia é o parque aquático que mais recebe turismo na América Latina é o 5º mais visitado do mundo. Entre 2019 e hoje o crescimento foi de 31,6% em relação a todos os parques latinos americanos. Surpreendentemente, é a segunda cidade do Estado em leitos em hotelaria, atrás apenas da Capital, e à frente de Aparecida, a terceira. São Paulo tem 75.600 leitos, Olímpia 25.999 e Aparecida, 20.649. Rio Preto está em 13º com 5 mil leitos. Em 2016 eram apenas 9.776 leitos.

Impressiona o número de visitantes. Em 2017 foram 2 milhões de turistas. Em 2019, 2,9 milhões. Em 2021, mesmo fechada entre março e outubro, mais de 1 milhão de pessoas. Projeta-se para o ano que vem 3,5 milhões de visitantes e em 2025, 6 milhões. Parte deles não são brasileiros.

O orçamento do município reflete essa explosão de crescimento. Em 2014 foi de R$ 164,6 milhões, e a previsão para 2021 é de R$ 250,3 milhões. Um aumento de mais de 50% em apenas 5 anos. É de interesse de Rio Preto que o segundo maior orçamento da região, e uma circulação financeira ainda não medida, alimentada por dólares e euros, esteja integrada. Prevê-se que a Região Metropolitana promova em torno de R$ 30 bilhões em negócios já no ano da largada.

Hoje, a arrecadação em Olímpia é a segunda entre as 36 cidades e tem a perspectiva de crescer exponencialmente, bem mais que as outras, ao lado de Rio Preto.

Luta é para ter aeroporto e conseguir a duplicação da Assis Chateaubriand

Um dos projetos mais caros à administração de Olímpia para dar suporte ao seu desenvolvimento é a construção de um aeroporto internacional (que o município ainda chama de regional) na rodovia Assis Chateaubriand. Tem espaço suficiente para uma pista para receber grandes aviões. Com o fluxo de turistas no aeroporto de Rio Preto, em torno de 700 mil passageiros ano com crescimento de 10% ao ano, a administração de Olímpia tem estudos para a construção com estimativa de passageiros até 2038.

Com a cidade na Região Metropolitana, a gestão única do grupo pode priorizar investimentos em um aeroporto existente e integrar Olímpia em outras obras e serviços que ela necessita. Uma delas, expresso em entrevista à Rádio CBN à jornalista Bia Menegildo pelo prefeito Fernando Cunha, é a duplicação da rodovia Assis Chateaubriand.

Olímpia também tem previstos investimentos na infraestrutura urbana e instalação de espaços nobres como um Outlet. Hoje 8 mil pessoas trabalham no segmento.

Um dos entraves para um aeroporto internacional, lá ou aqui, é a instalação de uma delegacia da Polícia Federal e um departamento de fiscalização fitossanitário. Sem a PF não existe aeroporto internacional. Faz dez anos que o de Rio Preto aguarda esse equipamento público. A Federação diz que não tem como arcar com mais esse custo. Uma solução é a transferência da sede da PF em Rio Preto para o prédio do aeroporto. Fica faltando a área biológica.

Prefeito de Olímpia diz que a cidade ?é pendurada em Rio Preto?

O prefeito Fernando Cunha (PSD) disse que a possibilidade de integrar a Região começou quando surgiram as primeiras informações sobre as intenções do governo estadual. “O prefeito Edinho Araújo me ligou para participar da reunião”, revela. Cunha sempre é convidado, mesmo pertencendo à região de Barretos. “Nós não temos nenhuma ligação com Barretos. Olímpia é pendurada em Rio Preto”, afirma.

O prefeito diz que o estudo da Fundação Seade para a criação da Região foi feito a partir da divisão das regiões administrativas que existem no estado. Por isso, Olímpia inicialmente ficou de fora. Legalmente, pertence à região de Barretos. “(Rio Preto e Olímpia) Somos galhos da mesma árvore”, afirma. “Agreguei os dados de Olímpia e falei com o Rodrigo Garcia, o Geninho (Zulianii, deputado federal pela cidade), o Carlão Pignatari (presidente da Assembleia Estadual) e eles entenderam”. Cunha mostrou que todos os laços são entre Olímpia e Rio Preto.