12.03.2021

Investimentos para atividade canavieira crescem em 12% na região de Araçatuba

Folha da região, de Araçatuba – 11/03/2021

Um levantamento sobre os investimentos divulgado na quarta-feira (9), pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados, o Seade, aponta que nos últimos dois anos, houve uma significativa expansão dos aportes para a agropecuária. A área plantada no território paulista em 2019 concentrou a maior participação nas cidades de São José do Rio Preto e Araçatuba. Quando os portugueses construíram o primeiro engenho brasileiro de cana-de-açúcar no litoral paulista, eles não tinham ideia de como o setor produtivo complexo que surgiria em São Paulo para processar essa planta. Quinhentos anos se passaram e hoje, o território paulista tem uma área plantada de 5,5 milhões de hectares, nos quais foram produzidos mais de 598 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, que geraram um montante de mais de R$ 27 bilhões de acordo com dados da Pesquisa Agrícola Municipal.

O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, sendo que São Paulo responde por 55% da área plantada no país. A maioria das usinas paulistas de processamento de cana podem escolher a produção de açúcar ou de etanol. E isso, é uma vantagem competitiva do setor, que foi surpreendida com um novo levantamento do setor sucroalcooleiro estadual: o crescimento de investimentos para atividade canavieira. O levantamento foi divulgado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados, o Seade, com base na Pesquisa de Investimento Anunciados no Estado de São Paulo, Piesp, e apontou que nos últimos dois anos, houve uma significativa expansão dos aportes para a agropecuária e esse desempenho reflete essencialmente os valores direcionados ao cultivo da cana-de-açúcar no estado, um montante de corresponde a quase 100% das inversões no segmento, tanto em 2019, como em 2020. ?Que momento impressionante para o agronegócio!?, diz com entusiasmo o representante da União Nacional da Bioenergia, UDOP. ?O setor é muito forte na região.

Ele veio pra cá com a implantação do pró álcool na década de 75 onde surgiram as primeiras destilarias autônomas e de lá pra cá várias usinas se instalaram no estado, não apenas destilarias, hoje são usinas de açúcar, o etanol e a Bioeletricidade, que é a energia gerada da queima do bagaço da cana, com isso a região se torno a menina dos olhos dessa atividade?, explica. Entre os fatores que impulsionaram a atividade canavieira, sobressai o RenoBio, que é uma nova política nacional de incentivo à produção de etanol e outros biocombustíveis, em vigor deste dezembro de 2019. De acordo com o IBGE, a área plantada de cana no território paulista neste mesmo ano, somou 5,5 milhões de hectares, desse total, as cidades que abocanharam a participação nesse total foram São José do Rio Preto (16,3%) e Araçatuba (12%). ?Se pudéssemos traçar uma reta, Araçatuba, fica no centro da região, onde desde a década de 2000, fica a expansão do setor, apelidada de Nova Fronteira da Cana-de-Açúcar.

E a cidade se situa em uma posição estratégica dentro desse cenário, porque é uma cadeia que movimenta vários segmentos, por exemplo, no final de uma entressafra, as usinas são desmontadas e alguns equipamentos são reparados, e esses reparos são feitos em cidades polos, onde contam com uma estrutura mínima necessária para isso, e Araçatuba está repleta de grandes empresas que atendem à demanda e tantas outras que prestam assistência?, explica a fonte ligada ao setor. As plantações paulistas têm alta produtividade por hectare e isso se deve, além da qualidade do solo e das condições climáticas favoráveis, às pesquisas realizadas por entidades públicas e privadas, que coletam, analisam e disseminam os dados sobre o Estado de São Paulo. Entre 2019 e 2020, a pesquisa registrou R$ 9,6 bilhões em anúncios de investimentos ligados à cana-de-açúcar.

A maioria dos recursos (R$ 7,4 bilhões) se refere à agricultura, envolvendo expansão e renovação de canaviais. O maior investimento em canaviais (R$ 5,6 bilhões) foi noticiado em 2019 pela Raízen (Cosan-Shell). Em 2020, a liderança coube ao grupo São Martinho (R$ 1,3 bilhão). ?Seguramente esse crescimento, vão desde investimentos para expansão de áreas agricultáveis, como também na ampliação de usinas, da capacidade de moagem. Uma usina média hoje, processa por safra, cerca de 2 milhões de toneladas de cana, então, existe uma série de investimentos que podem fazer com que haja a expansão dessa unidade. Tudo isso, são investimentos feitos por grupos sucroenergéticos da nossa região e que refletem nessa fase doce em que Araçatuba se destaca, com 12%?, finaliza. O Estado de São Paulo é o maior produtor mundial de etanol de cana-de-açúcar contribuindo para que o Brasil seja o segundo maior produtor de etanol do mundo, atrás do EUA.