22.06.2017

Em Campinas, idosos serão maioria em 13 anos

Correio Popular – 22/06/2017

A população de Campinas começará, de forma inédita, a encolher nos próximos anos. A taxa de crescimento populacional, de 0,80% ao ano entre 2010 e 2015, sofrerá redução progressiva até se tornar negativa. Dessa forma, entre 2040 e 2050, a população da cidade perderá mais de 30 mil pessoas, e chegará ao final do período com 1,2 milhão de habitantes, segundo projeções da Fundação Seade, divulgadas ontem. A consequência dessa inflexão é que a partir de 2030, o grupo de maiores de 60 anos triplicará e superará o de crianças e adolescentes com menos de 15 anos, acelerando o envelhecimento da população.

Demandas das ações públicas mudarão, afirma instituto

A pesquisa leva em consideração o comportamento das taxas de fecundidade, mortalidade e migração, e parte da população censitária de 2010 e estimativas até 2050. Mostra que a partir de 2030, os habitantes com mais de 60 anos crescerão a taxa de 1,95% ao ano, enquanto a população mais jovens terá redução de 1,18% ao ano. Os mais velhos, que hoje representam 14,5% da população, passarão a representar 30,8%. O comportamento reflete o do Estado, cuja taxa de crescimento populacional de 0,87 ao ano entre 2010 e 2015, terá redução progressiva, Entre 2040 e 2050, a população do Estado perderá mais de 400 mil pessoas, totalizando 47,2 milhões ao final do período. O contingente de maior idade crescerá em ritmo mais intenso, de modo que sua participação mais que dobrará em 2050 na comparação com 2010, ou seja, de 11,6% da população para 29,8%. O grupo de menores de 15 anos, por sua vez, terá sua participação reduzida de 21,5% para 14,0%. Segundo a Seade, as demandas por políticas públicas de uma sociedade que envelhece rapidamente são bastante distintas das atuais. Portanto, haverá forte demanda de serviços ao idoso, acompanhada de menor pressão para as demandas relacionadas à infância e à adolescência. O lado positivo dessa gangorra populacional, segundo a especialista em políticas públicas Márcia Santoro de Oliveira, é que os recursos destinados à educação já não sofrerão tantas pressões como os de hoje, permitindo, por exemplo, a implantação de ensino em período integral. Além disso, será possível investir na qualidade para crianças e adolescentes. Mas a pressão por recursos em assistência social e saúde aumentarão para atender a população idosa. Ainda segundo a pesquisa, a taxa de fecundidade e as migrações são serão suficientes para repor a perda da população com mortes no período.

RMC

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) chegará a 2050 com 3,47 milhões de habitantes. A população com menos de 15 anos, que era de 1.285.210 pessoas em 2010, vai perder 343,9 mil jovens até 2050, enquanto a de maiores de 60 anos, que era formada por 738.269 vai ganhar 1,59 milhão de pessoas ? ou seja, triplicará. O envelhecimento da população é uma tendência geral, mas impactará de forma mais intensa determinadas regiões. Na Região Administrativa de São José do Rio Preto, por exemplo, a participação de idosos será quase cinco pontos porcentuais acima da média do Estado em 2050 ? essa tendência é observada também em regiões como a de Barretos e a Central. Em contraste, determinadas regiões terão participação de crianças e adolescentes até 15 anos acima da média estadual, caso das de Registro, Baixada Santista e Grande SP.