Inserção da População Negra no Mercado de Trabalho

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Novembro 2016 – Diferenciais de inserção de negros e não negros no mercado de trabalho em 2014-2015

Região:   ABC

Resumo:

As informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região do ABC são passíveis de desagregação por segmentos populacionais, possibilitando um olhar mais atento a diferentes grupos sociais. Em alusão ao Dia Nacional da Consciência Negra, a Fundação Seade e o Dieese, em parceria com o Consórcio Intermunicipal Grande ABC, vêm realizando, anualmente, estudos sobre a inserção dos negros no mercado de trabalho, no intuito de acompanhar as mudanças e as permanências das desigualdades entre negros e não negros.

Apesar de representarem cerca de um terço da população paulista (34,6%, segundo o Censo Demográfico 2010), os negros possuem um legado histórico de discriminação que se reflete em uma inserção no mercado de trabalho pior do que a dos não negros. Este estudo pretende colaborar para a identificação de alguns desses aspectos na Região do ABC e na formulação de políticas públicas que possam contribuir para a redução dessas diferenças.

O último ciclo de crescimento econômico, embora não tenha sido suficiente para reparar as desigualdades históricas, tornou possível, juntamente com algumas ações afirmativas, reduzir os diferenciais de raça/ cor, como mostram vários estudos produzidos tanto pela Fundação Seade e Dieese, como por outras instituições que se debruçaram sobre o tema.

No entanto, a recente crise econômica interrompeu alguns desses avanços, como a redução da diferença entre as taxas de desemprego total de negros e não negros, que, em 2012-2013, chegava a 1,6 ponto porcentual, a menor desde o início da pesquisa na região em 1998, mas em 2014-2015 ampliou-se para 3,3 pontos porcentuais, como resultado do aumento menor da taxa de desemprego, no período em análise, para os não negros (de 9,7% para 10,6%), em comparação ao dos negros (de 11,3% para 13,9%).

A participação de negros no total de ocupados diminuiu de 30,8%, em 2012-2013, para 28,8%, em 2014-2015, enquanto cresceu a sua representatividade no total de desempregados (de 34,7% para 35,7%).

Nesse período, o rendimento médio real por hora diminuiu 1,3%, para os negros, e 3,7% para os não negros, fazendo com que o rendimento médio por hora dos primeiros (R$ 9,78) passasse a corresponder a 63,3% daquele recebido por não negros (R$ 15,46), porcentagem que era de 61,7% em 2012- 2013 e que chegou a equivaler a 59,5%, em 1999-2000.

Apesar dessa pequena melhora, tais valores continuam muito distantes. Excluídos componentes como valorização do salário mínimo e reajustes salariais, uma aproximação mais efetiva dependeria, principalmente, de mudanças das características de inserção ocupacional dos negros, como será visto no decorrer do estudo.

 


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