ANÁLISE     

PIB TRIMESTRAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

Quarto trimestre de 2018

No confronto de 2018 com o ano anterior, o PIB paulista cresceu
1,6%. Entre o 3º e o 4º trimestres de 2018, descontados os efeitos
sazonais, o avanço foi de 0,2%

A economia paulista em 2018
Em 2018, vários eventos externos e internos comprometeram o comportamento da economia brasileira e paulista. No contexto externo, um dos fatores de instabilidade foi a elevação da taxa de juros pelo Federal Reserve (FED, o Banco Central americano), que tornou mais atraente o investimento nos Estados Unidos, em comparação a países como o Brasil.
O ambiente de negócios também foi afetado desfavoravelmente pelas medidas protecionistas adotadas pelo governo Trump. Entre elas, se destacam as novas tarifas impostas para as importações de aço e alumínio, que recaíram sobre os países da União Europeia, Canadá e parceiros no Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), e a estipulação de cotas para as compras de países como Brasil, Argentina, Austrália e Coreia do Sul. As medidas protecionistas adotadas pelo governo americano contra a China também atingiram negativamente o ambiente econômico internacional. A reação do governo chinês, com medidas e ameaças em retaliação aos Estados Unidos, provocou um conflito comercial, com impacto em ambas as economias e no comércio mundial, devido ao peso das duas potências na economia global. Também deve ser mencionada, como fator de tensão, a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit).
No cenário interno, a greve dos caminhoneiros – uma paralisação de 11 dias ocorrida em maio – afetou o desempenho de diversos setores, ao comprometer o abastecimento de várias mercadorias. Para encerrá-la, o governo reduziu o preço do óleo diesel, passando a subsidiar esse combustível, e tabelou os fretes rodoviários. Ademais, a economia foi influenciada pela instabilidade política associada às expectativas com os resultados das eleições presidenciais.
O conjunto desses eventos externos e internos alterou as expectativas quanto à expansão do PIB brasileiro em 2018. No início do ano, acreditava-se que, após dois anos de resultados negativos e de um ano de lenta recuperação (1,1%), 2018 apresentaria ritmo de crescimento do PIB mais vigoroso. No entanto, a expectativa de aumento foi sendo reduzida no decorrer do ano, passando de 2,69% para 1,30%, segundo os boletins Focus de 5 de janeiro e 28 de dezembro, respectivamente.

A economia paulista seguiu o mesmo ritmo da nacional, ou seja, foi também afetada pelos fatores econômicos e políticos de 2018. O PIB iniciou o ano com uma taxa anualizada de 1,8% e atingiu o ápice em abril (3,0% de aumento). A partir do 2º semestre, nessa mesma base de comparação, as taxas foram decrescendo até finalizar o ano em 1,6%. A mesma observação pode ser feita em relação às taxas de crescimento acumuladas ao longo do ano, que ficaram estáveis no 1º semestre e desaceleraram no 2º semestre (Gráfico 1 e Tabela 1).PIB_4trim_2018_site2PIB_4trim_2018_site1Com esses resultados, a economia paulista encerrou 2018 com expansão de 1,6% em termos reais, em relação ao ano anterior, e variação média de preços medida pelo deflator de 4,4%. O PIB do Estado de São Paulo foi estimado em R$ 2.222,5 bilhões e o PIB per capita em R$ 50.518,51, resultados sintetizados na Tabela 2.

PIB_4trim_2018_site8O comportamento do PIB paulista em 2018 foi influenciado positivamente pelos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios (2,2%) e o Valor Adicionado – VA (1,5%), sendo que este último contribuiu com 84,6% para a formação da taxa global. O resultado positivo dos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios está vinculado, principalmente, ao desempenho da atividade econômica que influencia a arrecadação, bem como aos aumentos de alíquotas de impostos de alguns setores, como por exemplo a redução de benefícios para exportadores, para a indústria química e para “concentrados” de refrigerantes feita pelo governo federal para garantir parte do acordo para encerrar a greve dos caminhoneiros.
O VA foi fortemente influenciado pela expansão da indústria e dos serviços, que cresceram 0,9% e 1,8%, respectivamente, uma vez que a agropecuária registrou redução (-1,8%).PIB_4trim_2018_site3Esse desempenho da agropecuária pode ser explicado, em parte, pela queda de produção e produtividade de alguns produtos da lavoura, decorrente das condições climáticas em 2018, e pelo declínio na produção de derivados de origem animal, devido à retração do consumo interno.
Segundo o Instituto de Economia Agrícola – IEA, os principais produtos com redução no volume de produção em 2018 foram cana-de-açúcar (-1,7%), carne bovina (-1,4%), laranja (-1,5%) e milho (-13,9%).
O decréscimo da produção de cana-de-açúcar, importante cultura do Estado, decorreu de chuvas irregulares com índices pluviométricos abaixo da média histórica entre abril e junho, menores investimentos na renovação de canaviais e declínio do preço do açúcar, diante do superávit da produção mundial.
O setor industrial cresceu 0,9% em relação ao ano anterior, reflexo principalmente do bom desempenho da indústria de transformação e da produção e distribuição de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana.
A extrativa mineral, que representa 1,0% do VA da indústria paulista e contempla principalmente as atividades de extração de petróleo e gás natural, registrou queda devido a paradas para manutenção em campos de petróleo, segundo informações da Petrobras.PIB_4trim_2018_site9

A indústria de transformação cresceu 1,2%, influenciada pelo desempenho positivo de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (12,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (10,7%), máquinas e equipamentos (8,6%) e metalurgia (7,7%). Esses crescimentos expressivos contrabalançaram as retrações do volume produzido nos segmentos de outros equipamentos de transporte (-10,4%) e produtos alimentícios (-10,1%). Apesar de a construção civil registrar decréscimo de 0,7% no ano, seu desempenho mostrou certa recuperação quando comparado com os resultados de 2014 até 2017. A melhora nos lançamentos e vendas no mercado imobiliário, a diminuição do ritmo das demissões do setor e algumas obras impulsionadas pelas eleições foram fatores que estimularam a atividade e evitaram queda mais expressiva da produção setorial.
O setor de produção e distribuição de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana cresceu 2,6%, apresentando comportamento positivo em todos os segmentos.
Por fim, a ampliação de 1,8% do setor de serviços, na comparação anual, refletiu, em boa parte, o bom desempenho do segmento de comércio e serviços de manutenção e reparação, cujo VA elevou-se em 4,0%, influenciado pelos sinais de melhora nos índices de emprego, pelos juros em queda e pela permanência da inflação sob controle. Entretanto, as atividades de transporte (0,6%) e o conjunto de atividades sob o título de demais serviços (1,4%) refrearam o ritmo da atividade de serviços. PIB_4trim_2018_site4

Em uma perspectiva mais ampla, a economia paulista mantém tendência de ascensão a partir de 2017, embora em ritmo moderado em 2018 (Gráfico 4).

Taxa trimestral contra trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal)

Considerando-se a série com ajuste sazonal, a atividade econômica do Estado cresceu 0,2% entre o 3º e o 4º trimestres de 2018, com retração na agropecuária (-1,2%) e na indústria (-1,3%). Nos serviços a taxa foi positiva (0,8%).PIB_4trim_2018_site5PIB_4trim_2018_site6Trimestre/mesmo trimestre do ano anterior

Na comparação com o mesmo período de 2017, o PIB cresceu 1,0% no 4º trimestre de 2018, com retração na agropecuária (-9,2%) e na indústria (-2,1%), enquanto os serviços avançaram 2,1%.PIB_4trim_2018_site7