População Estimada para
o Estado de São Paulo
42.599.177

Inserção Feminina no Mercado de Trabalho

MERCADO DE TRABALHO

Taxa de participção feminina continua em expansão e chega a 54,4%

DESEMPREGO

Taxa de desemprego feminina em 2002 é maior da pesquisa

OCUPAÇÃO

Aumenta ocupação das mulheres apenas nos serviços e nos serviços domésticos

RENDIMENTOS

Retrações são generalizadas, mas menores para as mulheres Cônjuges aumentam participação no rendimento familiar Rendimentos das mulheres não-negras apresentam menor queda

TABELAS
RESUMO
FICHA TÉCNICA
INTRODUÇÃO
Resumo

 

A taxa de desemprego das mulheres residentes na Região Metropolitana de São Paulo aumentou de 20,8%, em 2001, para 22,3% da População Economicamente Ativa (PEA) feminina em 2002. Entre os homens, o aumento da taxa foi mais intenso, embora permaneça em patamar inferior ao das mulheres: 16,5% da PEA masculina.

A elevação da taxa de desemprego de ambos os segmentos deveu-se ao fraco desempenho do nível ocupacional. Entre as mulheres, o nível ocupacional apresentou pequena variação positiva de 0,5% em 2002, e para os homens praticamente não houve alteração (0,2%). A ocupação feminina aumentou apenas nos Serviços e nos Serviços Domésticos e, por posição na ocupação, destaca-se a expansão do trabalho autônomo feminino.

Em continuidade à trajetória de expansão da última década, a taxa de participação feminina cresceu 1,3% no ano em análise, em decorrência, sobretudo, da entrada no mercado de trabalho de mulheres de 40 anos e mais e cônjuges. Entre os homens, registrou-se aumento de 0,8% da taxa de participação (em especial devido à expansão entre os jovens de 18 a 24 anos), interrompendo assim a tendência de decréscimo observada nos últimos anos.

Em 2002, o rendimento médio por hora trabalhada das mulheres ocupadas na RMSP manteve-se em declínio, passando a corresponder a R$ 4,03. Esse valor eqüivale a 77,4% do recebido pelos homens (R$ 5,21), proporção mais elevada que a registrada nos anos anteriores, em razão do comportamento especialmente desfavorável do rendimento masculino.

Considerada a raça/cor dos indivíduos na análise de gênero, verifica-se que todos os segmentos tiveram retração do rendimento médio por hora, mas o das mulheres não-negras foi o que sofreu menor decréscimo (5,3%). A desigualdade expressa na relação rendimento/hora das mulheres e homens negros e das mulheres e homens não-negros aumentou entre os primeiros e diminuiu para os não-negros em 2002, passando para 75,2% e 79,1%, respectivamente. Esse diferencial acentua-se fortemente ao se comparar o valor recebido pelo total de negros em relação ao de não-negros (52,3%).

MERCADO DE TRABALHO

Taxa de participação feminina continua em expansão e chega a 54,4%

  1. A taxa de participação feminina na Região Metropolitana de São Paulo atingiu 54,4% em 2002, correspondendo a um crescimento de 1,3% em relação ao ano anterior. Esse movimento, embora menos intenso que o registrado em 2001 (1,9%), dá continuidade à trajetória de crescimento desse indicador, observado em praticamente todos os anos da década de 90. O comportamento da taxa de participação dos homens também foi positivo (0,8%), o que não ocorria desde 1986. Com isso, a taxa masculina passou a equivaler a 73,4% no ano em análise.
  2. Por faixa etária, houve movimentos distintos da taxa de participação, com crescimento nos grupos de mulheres jovens e adultas, em especial entre as de 40 anos e mais (3,0%) e redução entre as crianças de 10 a 14 anos (11,3%) e as adolescentes de 15 a 17 anos (4,6%). Já entre os homens, destaca-se a elevação da taxa de participação dos jovens de 18 a 24 anos (0,9%) e das crianças de 10 a 14 anos (11,0%).
  3. Por nível de escolaridade, apenas a taxa de participação das mulheres que não chegaram a completar o ensino fundamental diminuiu (1,0%). Houve aumento maior para as que possuem o fundamental completo ou o médio incompleto (2,1%) e pequena variação positiva para as que completaram o ensino médio ou têm o superior incompleto (0,5%) e o superior completo (0,4%). Entre os homens, ao contrário, verificaram-se aumentos maiores para aqueles com o superior completo (1,3%) e o médio completo ou o superior incompleto (1,0%) e pequena variação negativa para os segmentos que não concluíram o ensino médio.

    DESEMPREGO

    Taxa de desemprego feminina em 2002 é a maior da pesquisa

  1. A taxa de desemprego total feminina cresceu de 20,8%, em 2001, para 22,3% da PEA feminina, em 2002, atingindo maior patamar desde 1985, início da pesquisa. A taxa de desemprego dos homens aumentou de forma um pouco mais intensa que a das mulheres, alcançando 16,5% da PEA masculina. Esses aumentos (10,7% e 7,2%, respectivamente) refletem a insuficiência de postos criados em relação à quantidade de mulheres e homens que entraram no mercado de trabalho em 2002.
  2. Decompondo-se essa taxa por tipo de desemprego, o maior aumento entre as mulheres foi verificado na taxa de desemprego oculto, que passou de 6,3% para 7,0% entre 2001 e 2002, destacando-se a de desemprego oculto pelo desalento (de 2,6% para 3,1%), embora a taxa de desemprego aberto tenha passado de 14,5% para 15,3%, no mesmo período. Para os homens, ao contrário, o crescimento mais intenso ocorreu na taxa de desemprego aberto, que passou de 8,6% para 9,7%, enquanto a de desemprego oculto aumentou de 6,4% para 6,8%.
  3. Como resultado do aumento do desemprego mais intenso entre os homens, a proporção de mulheres desempregadas na Região Metropolitana de São Paulo diminuiu de 53,3% em 2001, para 52,6% no ano em análise.
  4. O tempo médio de desemprego das mulheres com experiência anterior de trabalho diminuiu de 24 para 23 meses, entre 2001 e 2002, interrompendo a tendência de crescimento verificada ao longo dos anos 90. No entanto, essa média é bastante superior à dos homens, que se manteve inalterada em 14 meses no período analisado.
  5. Por atributos pessoais, os maiores aumentos da taxa de desemprego total feminina ocorreram entre as jovens de 18 a 24 anos (14,7%), as mulheres de 25 a 39 anos (8,9%), aquelas que concluíram o ensino superior (18,8%), aquelas com o ensino médio completo ou o superior incompleto (18,0%) e entre as filhas (10,9%). Para os homens, destacam-se os crescimentos entre aqueles com 40 anos e mais (15,8%), com o ensino médio completo ou o superior incompleto (18,4%) e os chefes de domicílio (11,6%).
  6. OCUPAÇÃO

    Aumenta ocupação das mulheres apenas nos Serviços e nos Serviços Domésticos

  7. O nível ocupacional feminino apresentou pequena variação positiva de 0,5% entre 2001 e 2002, desacelerando a trajetória ascendente dos três anos anteriores, nos quais o crescimento anual foi de cerca de 3%. Entre os homens, o nível ocupacional permaneceu relativamente estável (0,2%), repetindo comportamento observado no ano anterior. Em razão desse resultado, a participação feminina no total de ocupados permaneceu praticamente estável em 43,3%.
  8. Em 2002, o pequeno crescimento do nível ocupacional das mulheres deveu-se ao desempenho positivo nos Serviços (1,6%) e nos Serviços Domésticos (1,1%), atenuado pelo decréscimo nos demais setores (1,2% na Indústria e 2,3% no Comércio). Já entre os homens, a diminuição nos Serviços (1,5%) ocorreu quase que na mesma proporção do aumento no conjunto dos demais setores (0,9% na Indústria, 2,4% no Comércio e 6,5% na Construção Civil).
  9. Os Serviços, que agregam 50,6% das mulheres ocupadas na Região, mantiveram a tendência de crescimento dos últimos anos, registrando-se aumento de 1,6% em 2002. Houve ampliação do nível ocupacional nos Serviços Auxiliares (10,4%), de Limpeza (6,7%), Educação (5,8%), Alimentação (3,2%) e nos Outros Serviços (3,4%).
  10. Nos Serviços Domésticos, que ocupam 18,9% das mulheres da RMSP, observou-se desempenho positivo entre as diaristas (9,7%) e para as mensalistas foi verificado decréscimo (1,1%).
  11. Por tipos de inserção, houve decréscimo do nível ocupacional apenas entre as assalariadas (1,5%), em conseqüência do desempenho negativo do assalariamento com (3,0%) e sem carteira de trabalho assinada do setor privado (1,9%), uma vez que as assalariadas do setor público obtiveram aumento de 3,5%. Entre as demais formas ocupacionais, destaca-se o crescimento de 4,4% do trabalho autônomo, com variação um pouco maior entre as mulheres que trabalham para o público em geral (4,6%) do que para as que trabalham para empresas (3,9%).
  12. O assalariamento masculino permaneceu estável entre 2001 e 2002, observando-se decréscimo do assalariamento sem carteira de trabalho assinada no setor privado (1,6%), relativa estabilidade do contingente com carteira assinada (0,3%) e aumento no setor público (2,3%). Os trabalhadores autônomos apresentaram desempenho positivo (1,3%), embora menos expressivo que o feminino.

    RENDIMENTOS

    Reduções são generalizadas, mas menores para as mulheres

  1. Em 2002, as mulheres ocupadas receberam, em média, R$ 4,03 por hora, valor 7,1% inferior ao de 2001, mantendo trajetória de declínio pelo quinto ano consecutivo. Os homens tiveram seu rendimento/hora reduzido em 8,5% em relação ao ano anterior, passando a corresponder a R$ 5,21, dando seqüência a uma trajetória decrescente iniciada em 1996. Com esses resultados, desfavoráveis para os dois contingentes, mas em especial para os homens, observa-se a continuidade da gradativa aproximação do rendimento/hora obtido por ambos os sexos: em 1996 esse indicador para as mulheres correspondia a 69,3% do masculino, passando a 77,4% em 2002.
  2. De acordo com o setor de atividade, as mulheres ocupadas no Comércio tiveram as maiores reduções do rendimento/hora (10,9%), seguidas daquelas observadas nos Serviços (7,8%), nos Serviços Domésticos (7,2%) e na Indústria (3,5%). Entre os homens, os decréscimos corresponderam a 9,0% no Comércio, 8,4% nos Serviços, 7,4% na Indústria e 4,8% na Construção Civil.
  3. As assalariadas tiveram redução de 5,3% em seu rendimento/hora e as trabalhadoras autônomas de 15,7%. As empregadas domésticas, que tiveram retração de 7,2%, registraram declínio mais expressivo entre as diaristas (11,8%) do que entre as mensalistas (6,7%). Houve decréscimo de 8,3% no rendimento/hora dos homens assalariados e de 10,5% para os trabalhadores autônomos.
  4. Em relação ao nível de instrução dos ocupados, também houve retração generalizada do rendimento/hora. Para as mulheres que não concluíram o ensino fundamental, a retração correspondeu a 9,1%; para aquelas com o fundamental completo ou o médio incompleto, a 11,0%; e para as ocupadas com o ensino médio completo ou o superior incompleto, a 8,4%. A remuneração média por hora das mulheres que haviam completado o ensino superior, único segmento com redução menor que a dos homens (7,4% e 10,0%, respectivamente), passou a corresponder a 69,5% do rendimento masculino em 2002, percentual que equivalia a 67,5% em 2001.

    Distribuição da Massa do Rendimento Familiar

    Cônjuges aumentam participação no rendimento familiar

  1. Ao se verificar a distribuição da massa de rendimento familiar conforme a posição na família, a participação do rendimento dos chefes de família diminuiu de 66,6% em 2001, para 65,5%, em 2002, retração que fica mais evidente na comparação com 1995, quando essa proporção era de 68,5%. Em contrapartida, a participação dos cônjuges, que são majoritariamente mulheres, ampliou-se de 15,9% para 16,5%, a dos filhos de 14,0% para 14,5% e a dos demais membros da família manteve-se relativamente estabilizada, passando de 3,4% para 3,5%.
  2. No período 2001 e 2002, apenas a participação do rendimento das mulheres chefes sem cônjuge teve redução, ainda que pequena, na massa de rendimento familiar: nos casos em que há presença de filhos passou de 51,0% para 50,5% e, quando não há filhos, passou de 86,0% para 85,2%. Nos casais com chefia feminina houve aumento da participação das chefes, de 41,5% para 44,9% e naqueles com chefia masculina, as cônjuges ampliaram sua contribuição de 18,6% para 19,1%, quando há filhos, e de 27,9% para 30,8%, quando não há filhos.
  3. O rendimento real médio familiar diminuiu de R$ 1.472 em 2001, para R$ 1.369 em 2002. Os maiores rendimentos são os das famílias formadas por casais com chefe masculino com filhos (R$ 1.606) ou sem filhos (R$ 1.392) e os menores rendimentos são registrados para as famílias com chefe feminino sem cônjuge e sem filhos (R$ 851) ou com filhos (R$ 974). Essa diferença está associada, principalmente, à tradicional distância dos rendimentos masculino e feminino, mas também à composição diferenciada (número e idade dos membros da família) verificada nos arranjos familiares, interferindo assim na razão de dependência de cada arranjo.

    Rendimentos segundo sexo e raça/cor

    Rendimentos das mulheres negras apresentam maior queda

  1. Os diferenciais de raça são mais expressivos que os de sexo. O rendimento/hora dos negros (R$ 3,01) correspondia a 54,4% do rendimento/hora dos não-negros em 2002 (R$ 5,53), percentual bem menor que o verificado entre os sexos em cada grupo racial: o rendimento/hora das mulheres negras correspondia a 75,2% daquele dos homens negros e o das mulheres não-negras a 79,1% daquele dos não-negros.
  2. Essa distância entre os rendimentos/hora de mulheres e homens, no entanto, acentuou-se em 2002 para os negros, em razão do desempenho mais desfavorável para as ocupadas negras, cujo rendimento/hora, de R$ 2,52, ficou 13,3% menor em relação a 2001, enquanto para os homens negros o decréscimo do rendimento/hora correspondeu a 6,8%, passando para R$ 3,36. O inverso ocorreu entre os não-negros, grupo em que os homens tiveram maior retração do rendimento/hora (9,8%) do que as mulheres (5,3%), passando a corresponder a R$ 6,10 e R$ 4,82, respectivamente, no ano em análise.
  3. Para as mulheres negras, o comportamento do rendimento/hora nos diversos tipos de inserção ocupacional analisados foi o mais desfavorável, com destaque para o decréscimo do valor/hora entre as trabalhadoras autônomas (20,0%) e as assalariadas sem carteira assinada no setor privado (15,5%). O rendimento/hora das mulheres negras autônomas, o menor entre os segmentos de sexo e raça/cor, correspondia a R$ 1,61 em 2002, o equivalente a 35,9% do que os homens autônomos não-negros recebiam (R$ 4,48).
  4. As maiores reduções do rendimento/hora na análise por nível de escolaridade ocorreram entre as mulheres negras e não-negras com o ensino fundamental completo ou o médio incompleto (12,9% e 12,0%, respectivamente) e para os homens e mulheres negras com o ensino médio completo ou o superior incompleto (15,9% e 12,0%, respectivamente).
  5. A aproximação do rendimento/hora das mulheres em relação ao dos homens é maior quando se apresenta maior escolaridade, característica mais evidente entre os negros. Essa correspondência não se repete ao se analisar a relação entre o rendimento/hora do total de negros e não-negros, uma vez que o rendimento/hora dos negros que não chegaram a completar o ensino fundamental equivalia a 84,6% dos não-negros com o mesmo nível de escolaridade, passando para 83,4% entre os que possuem o ensino fundamental completo ou o médio incompleto e a 68,9% entre aqueles com o ensino médio completo ou o superior incompleto.


 
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