Inserção da População Negra no Mercado de Trabalho

BOLETIM EM PDF ANEXO ESTATÍSTICO GRÁFICOS E ÚLTIMOS RESULTADOS

Novembro 2015 – Diferenciais de inserção de negros e não negros no mercado de trabalho em 2013-2014

Região:   ABC

Resumo:

As informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região do ABC são passíveis de desagregação por segmentos populacionais, possibilitando um olhar mais atento a diferentes grupos sociais. Em alusão ao Dia Nacional da Consciência Negra, a Fundação Seade e o Dieese, em parceria com o Consórcio Intermunicipal Grande ABC, vêm realizando, anualmente, estudos sobre a inserção dos negros2 no mercado de trabalho, no intuito de acompanhar as mudanças e as permanências das desigualdades entre negros e não negros.3
A população negra (34,6% no estado de São Paulo, segundo o Censo Demográfico 2010), ainda carrega a herança histórica de escravidão e discriminação, o que se reflete em uma pior inserção no mercado de trabalho, em comparação à dos não negros. Este estudo pretende colaborar na identificação de alguns desses aspectos na Região do ABC.
O crescimento econômico da última década tornou possível, juntamente com algumas ações afirmativas, reduzir os diferenciais de sexo e raça/cor, como mostram vários estudos produzidos tanto pela Fundação Seade e Dieese, como por outras instituições que se debruçaram sobre o tema.
Nesse sentido, a recente expansão econômica contribuiu para a redução da diferença entre as taxas de desemprego total de negros e não negros observadas ao longo da PED, iniciada em 1998 na Região do ABC. Entre os biênios 2011-2012 e 2013-2014, essa diferença passou de 2,7 para 1,2 ponto porcentual, como resultado de comportamentos distintos da taxa de desemprego de negros – que diminuiu de 11,9% para 11,2% – e de não negros – que aumentou de 9,2% para 10,0%, no período.
O rendimento médio real por hora dos negros cresceu 11,8%, entre 2011-2012 e 2013-2014, e o dos não negros ampliou-se em 4,8%. Assim, o valor pago por hora, em média, para os negros (R$ 9,28) passou a representar 62,5% daquele recebido por não negros (R$ 14,86), proporção que era de 58,6% em 2011-2012. Apesar dessa pequena melhora, tais valores continuam muito distantes. Uma aproximação mais efetiva depende, principalmente, de mudanças das características de inserção ocupacional dos negros, como será visto adiante.

2. O segmento de negros é composto por pretos e pardos e o de não negros, por brancos e amarelos.
3. Outros estudos disponíveis em: <www.seade.gov.br>.

 


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