Inserção da População Negra no Mercado de Trabalho

BOLETIM EM PDF ANEXO ESTATÍSTICO 

Novembro 2008 – Desigualdade entre negros e não-negros ainda persiste no mercado de trabalho

Região:   RMSP

Resumo:

A população negra1 tem presença marcante na Região Metropolitana de São Paulo, representando 36,5%2 da população total em 2007. Entretanto, ainda persistem grandes diferenças de inserção no mercado de trabalho entre negros e não-negros.

Na Região Metropolitana de São Paulo, pelas informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Fundação Seade e do Dieese, os negros eram, em 2007, pouco mais de um terço da População em Idade Ativa e da População Economicamente Ativa, minoria, portanto, em relação aos não-negros, que representavam 64% destes contingentes. No entanto, as dificuldades encontradas pelos negros para se inserirem no mercado de trabalho são significativamente maiores, expressas sobretudo na sua elevada proporção no contingente de desempregados (42,9%). Em grande parte, esse descompasso reflete o acúmulo de carências ao longo de várias gerações, cujos efeitos levam ao comprometimento de uma formação adequada que prepare o indivíduo para o mercado de trabalho.
Tradicionalmente, os negros entram no mercado de trabalho mais cedo do que os não-negros e permanecem nele por mais tempo, fato associado a um tipo de inserção mais frágil, muitas vezes relacionada à menor qualificação profissional, o que leva à auto-ocupação, ou ao emprego doméstico e à Construção Civil, em que a remuneração e o valor da aposentadoria costumam ser insuficientes para suprir os gastos da família.

O nível de escolaridade dos negros tende a ser inferior ao dos não negros. Como se sabe, a escolaridade é especialmente importante por ampliar oportunidades de melhor inserção no mercado de trabalho e de se obter maior remuneração. Decerto, isso se verifica também entre os negros, embora estes últimos, sobretudo nos estratos de renda mais elevados, tendam a receber rendimentos do trabalho inferiores aos dos não-negros.

Essas informações são detalhadas a seguir, com alguns pontos destacados para as mudanças estruturais ocorridas no período de 1998 a 2007, que apontam para avanços importantes, mas ainda insuficientes para garantir uma situação de equanimidade entre os dois segmentos populacionais analisados.